
Tudo muda. É inevitável. “Todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”, como dizia Camões. É um facto incontornável para o qual não há alternativa. Chega a ser uma condição para a existência de vida.
A mudança é uma característica da Natureza e, exceptuando as leis da Natureza, não há como não mudar. Já alguém tentou parar, fazer-se eternamente jovem? À luz dos nossos conhecimentos actuais não é de todo possível. Bom, talvez haja uma secreta esperança vinda de Einstein ou da Física Quântica ou mesmo duma tal de Entropia. Aguardemos!
A grande consequência da mudança é a adaptação. Desde Darwin que o sabemos. O pescoço da girafa não “cresceu” para se adaptar às folhagens elevadas? E não estamos nós a perder gradualmente os sisos pelo facto da nossa ementa ter deixado de ser tão exigente para com a nossa dentição e aparelho digestivo? A adaptação traduz a capacidade plástica de sobrevivência, o poder de encaixe do ser ao meio, a única via de reposição do equilíbrio ferido pela mudança.
A mudança é em si mesma um acto de adaptação, porque surge da necessidade de ajustar o que está desajustado: o desajustamento gera tensão e desconforto que, por sua vez, precipita a mudança.
A mudança é uma transição, uma passagem de um estado para outro com “novas qualidades”. As transições são momentos importantes porque nelas intervêm invariavelmente rupturas e hábitos. A despedida dalgumas rotinas que cedem lugar a novos comportamentos, como acontece na aprendizagem, pode fazer-se com alguma resistência. Cada um reage à mudança à sua maneira, esgrimindo a sua artilharia pessoal de forma mais ou menos musculada, manifestando maior ou menor vontade de adaptação. Mas há um consenso generalizado sobre as boas práticas acerca desta matéria, uma espécie de manual cultural aprendido na convivência familiar, escolar e social que prescreve o leque de reacções a ter em conteúdo, forma e intensidade face à mudança.
A quebra de velhos hábitos tanto pode ser acompanhada de sofrimento como de alegria, tanto pode ser um manifesto de tristeza como de regozijo. No crescimento, tal como noutras áreas, a transição é obrigatória mas a crise é opcional.
Joel Cunha